sábado, 24 de fevereiro de 2007

número um.

blog de número 3. durará? o pai há de saber.

Então estávamos ali num café que chamava Havanna. Dado o nome, puxo da minha bolsa um Cohiba e peço um cortador "não tem, moço." Mas como diabos um lugar que se chama Havanna não tem cortador de charuto? O café é bom, tomo e ando. Subo umas nove ruas, contando as folhas das árvores. Já na Paulista, perambulo mais um bocado e procuro alguma coisa que não sei. Obviamente, não acho e consigo, no meio de dezoito milhões de pessoas, me sentir a criatura mais abandonada do mundo.

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Saio do hotel e me encaminho pro metrô. Vou descendo a escada rolante e, como sempre, olho pro teto. Tem um adesivinho colado. Eu sou curioso, ponho os óculos e leio: "Sheilinha gostosafaçotudoporquarentareais". Levanto a sobrancelha e leio o seguinte: "Sorayaativaepassivatudooquevocêdeseja". É, não é só a L'Oreal que anuncia no metrô.

Vou até a Liberdade comprar uns saquinhos de chá. Chego junto dum orelhão, descubro que as putas são, de fato, grandes anunciantes urbanas. Entendiam, inclusive de segmentação de mercado: "keikoninfafaztudoqueopapaijapamandar". O poder do mercado me impressiona cada vez mais.


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Eram quase duas da manhã e estávamos, dessa vez, no Santo Grão. Lugar perfeito, com os aromas de café beijando as narinas e acariciando as papilas gustativas. Tomo meu cafezinho e observo as pessoas. Uma barista puxa conversa e eu descubro que o potinho de shoyu era, na verdade, um cinzeiro: aleluia, posso fumar. A barista sai, eu me encosto ali no canto com meu latte e meu cigarro e observo. Na verdade, havia um objeto único de estudo que veio, depois, provar-se inútil. Merda, eu sou um fracasso.


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Encontro furtivo. Dá certo. Mazal tov.


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