12 anos, by appointment to her majesty, the queen e um cigarro. Aí, veja só, meu caro, resolvo telefonar. Meu material genético deve estar povoado por celulazinhas sado-masô que fazem questão de mostrar sua pomposa presença nos momentos mais inconvenientes.
Fico naquele tom de 'putaquepariu' característico dos que não sabem o que fazer. Estatelado. Buuum. Y ahora? Y ahora uma porra, PD, arruma o que fazer. Mas não, não quero arrumar. É, meu caro, idéia fixa, tal qual o emplasto que acabou defuntando Brás Cubas.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Café
Dia desses ali no Delta do RecAntigo, enquanto lia uns e-mails sobre penis enlargement e become an instant millionaire vi a velhinha. Era assim nem gorda nem magra, lá pelos 60, usando uns óculos bem feios e saia comprida, daquelas que coalham as paradas de ônibus perto das Assembléias de Deus. Não fosse o lugar, teria passado completamente despercebida. Escondi-me por trás da tela do computador e fiquei observando.
"-Moço, traz aí o cardápio. Ah, eu quero isso aqui, e o que você me sugere pra beber? Sim, deve ser bom. Traz um."
Garfada. Nhac. Sorriso bem largo. Eu rio comigo. Mesmo por detrás dos óculos os olhos traduziam a culpa pelo prazer gastronômico. A velhinha dolosamente destruía uma empada de frango e srrrrruuuuuup, atacava o milkshake de café com chocolate. Comia que se lambuzava. Era até bonito de ver, bem mais bacana que o advogado da mesa adjacente e do pseudointelectual sentado do outro lado, atracado com o jornal e munido de um óculos caro comprado a prestação.
Como se fizesse todo dia, pediu a conta, pagou e foi embora, agradecendo ao garçon e dizendo que voltaria em breve. Óbvio que não voltaria.
Mas é confortante saber que ainda existe gente que, mesmo envergando uns anos a mais, ainda é perfeitamente capaz de um detour na vida.
"-Moço, traz aí o cardápio. Ah, eu quero isso aqui, e o que você me sugere pra beber? Sim, deve ser bom. Traz um."
Garfada. Nhac. Sorriso bem largo. Eu rio comigo. Mesmo por detrás dos óculos os olhos traduziam a culpa pelo prazer gastronômico. A velhinha dolosamente destruía uma empada de frango e srrrrruuuuuup, atacava o milkshake de café com chocolate. Comia que se lambuzava. Era até bonito de ver, bem mais bacana que o advogado da mesa adjacente e do pseudointelectual sentado do outro lado, atracado com o jornal e munido de um óculos caro comprado a prestação.
Como se fizesse todo dia, pediu a conta, pagou e foi embora, agradecendo ao garçon e dizendo que voltaria em breve. Óbvio que não voltaria.
Mas é confortante saber que ainda existe gente que, mesmo envergando uns anos a mais, ainda é perfeitamente capaz de um detour na vida.
Assinar:
Comentários (Atom)
