Tenho cá pra mim que a teoria da relatividade de Einstein e a maçã de Newton foram frutos sobretudo do tédio. O sujeito entediado é capaz da atrocidades mais humanas. Observe, meu caro e único leitor, que no momento em que vos escrevo estou enlatado, tal qual um arenque, sardinha, atum etc etc, num avião que só serve café com açúcar. Porra, café não é uma bebida doce! Depois de um atraso de hora e meia [e a certeza de duas conexões pertidas, põe mais hora aí] ainda cometem o hediondo delito de me servirem café com açúcar. Onde diabos reside meu direito de escolha? E o meu direito de ser uma criantura misantropa e individualizada em consonancia com o artigo quinto da Constituição que os fulanos de tal lá em BSB [repare na abreviatura aeronáutica] mandaram imprimir? É, este nosso, um país perdido.
Mas veja que nem tudo vai mal. Com esse negócio de investment grade, que ainda não me dei o trabalho de chegar no google para ver o que diabos é, tem até mendigo falando inglês.
Eis que, saindo pro almoço lá no RecAntigo com minha aluna, empacotado numa pólo branca com a gola virada pra cima [pela manhã eu havia eleito a moda ‘oi, eu sou pitboy’] e tudo mais, vou gastando minha sola na Rua do Bom Jesus. Aí chega o fulano cheirando a óleo de rícino [que nunca cheirei, mas com um nome feio desses boa cousa não deve ser] me olha e diz: ‘help, my friend’. Como a primeira palavra na língua de tia Beth normalmente liga meu ‘english mode on’ já fui respondendo que ‘sorry, I can’t’. Aí foi que eu me dei conta que, além de falar inglês, o Zé havia tomado café da manhã com Baco. Zé olha pra mim e diz: “but of course you can”. Pra evitar delongas, arrumei um real no bolso e fui embora. Com o tilintar das moedas é que me dei conta de que o sujeito não havia falado português. Creia: a globalização chegou aos albergues da prefeitura.
terça-feira, 20 de maio de 2008
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Um comentário:
KKKKKK Esse foi engraçado!
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